Poesias - Entre Versos, Estrofes e Sentimentos
- Eidi Silva

- 8 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
Por Eidi Silva

Poeta da morte
Augusto dos Anjos, conhecido como ‘o poeta hediondo’ ou
‘poeta da morte’ por causa de suas poesias relacionadas à
brevidade da vida com suas definições grotescas e com requinte de
pessimismo mórbido e sombrio.
Em seu poema Vozes da Morte há, com mestria, a
comparação entre a morte de uma árvore e a morte humana.
Vozes da morte
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!
“Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura”
Augusto do Anjos dá a ideia de um mesmo destino entre o eu lírico
e a árvore de tamarindo: a morte.
“Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!”
A árvore com o envelhecimento de suas folhas e de toda a sua
estrutura vegetal. O eu lírico com o envelhecimento da pele e de
toda a estrutura biológica humana.
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Visão pessimista ligada á decomposição. Tanto a árvore quanto o
eu lírico compartilham do mesmo destino fatal esquelético.
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
No entanto, haverá lembranças de sua existência por meio de suas
sementes por aí espalhadas dando ideia de renovação e
continuidade da espécie.
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!
O eu lírico se compara à árvore que por meio de suas sementes,
prole, haverá continuidade da vida deixando legados e renovação.
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Poesia de Eidi Silva que trata a morte como surpresa inapropriada e totalmente indesejada que leva jovens no ápice da vitalidade. A composição apresenta um eu lírico revoltado diante da interrupção precoce da vida, criando um clima de tensão crescente até o desfecho final.
Morte
No silêncio da madrugada
Ela se aproxima sorrateira.
À vítima observa calada
E quer levá-la de qualquer maneira.
Faminta e sem piedade,
Em meio a escuridão,
Corrompe a felicidade
De um corpo em ascensão.
Leva embora uma vida distinta
Que nem sequer chegou aos trinta!
Leva embora uma alma forte
Essa maldita que se chama morte!
Eidi Silva
“No silêncio da madrugada
Ela se aproxima sorrateira.”
A morte surge como uma entidade quase humana, que age escondida. A palavra “sorrateira” reforça a ideia de algo traiçoeiro e inevitável.
“À vítima observa calada
E quer levá-la de qualquer maneira.”
A morte personificada observa com forte desejo a vítima e concluirá com seu objetivo roubando-lhe a vida. O destino fatal é certo.
“Faminta e sem piedade,
Em meio a escuridão,”
Desejo intenso em saciar a sua fome durante a madrugada em meio ao breu da noite, escuridão total. Momento propício para executar seus planos de morte.
“Leva embora uma vida distinta
Que nem sequer chegou aos trinta!”
Destruição prematura de uma vida cheia de futuro, força que interrompe as possibilidades, os sonhos e a intensidade da existência.
“Leva embora uma alma forte
Essa maldita que se chama morte!”
O poema termina em revolta. O adjetivo “maldita” rompe qualquer neutralidade e revela indignação profunda. O fechamento é forte porque nomeia diretamente aquilo que vinha sendo construída como presença misteriosa desde o início: a morte.
Tanto a poesia de Augusto dos Anjos, Vozes da Morte, e de Eidi Silva, Morte, trazem a mesma temática do destino fatal que acompanha o eu lírico do começo ao fim de cada poema, lembrando a brevidade da vida e a chegada repentina do fim da vitalidade no auge de sua força juvenil.
Eidi Silva Alencar - Colunista




Que coluna maravilhosa!! Parabéns
Belíssimo poema sobre algo tão natural e temido!
Maravilhoso, parabéns!
Lindo, parabéns.
a morte sempre cheia de mistérios, excelente matéria.