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Poesias - Entre Versos, Estrofes e Sentimentos

Atualizado: há 5 dias

Por Eidi Silva

Poeta da morte

Augusto dos Anjos, conhecido como ‘o poeta hediondo’ ou

‘poeta da morte’ por causa de suas poesias relacionadas à

brevidade da vida com suas definições grotescas e com requinte de

pessimismo mórbido e sombrio.

Em seu poema Vozes da Morte há, com mestria, a

comparação entre a morte de uma árvore e a morte humana.


Vozes da morte


Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,

Tamarindo de minha desventura,

Tu, com o envelhecimento da nervura,

Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!

E a podridão, meu velho! E essa futura

Ultrafatalidade de ossatura,

A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!

E assim, para o Futuro, em diferentes

Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,

Pelo muito que em vida nos amamos,

Depois da morte inda teremos filhos!


“Vamos morrer, reunidos,

Tamarindo de minha desventura”

Augusto do Anjos dá a ideia de um mesmo destino entre o eu lírico

e a árvore de tamarindo: a morte.

“Tu, com o envelhecimento da nervura,

Eu, com o envelhecimento dos tecidos!”

A árvore com o envelhecimento de suas folhas e de toda a sua

estrutura vegetal. O eu lírico com o envelhecimento da pele e de

toda a estrutura biológica humana.

Ultrafatalidade de ossatura,

A que nos acharemos reduzidos!


Visão pessimista ligada á decomposição. Tanto a árvore quanto o

eu lírico compartilham do mesmo destino fatal esquelético.

Não morrerão, porém, tuas sementes!

E assim, para o Futuro, em diferentes

Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

No entanto, haverá lembranças de sua existência por meio de suas

sementes por aí espalhadas dando ideia de renovação e

continuidade da espécie.

Na multiplicidade dos teus ramos,

Pelo muito que em vida nos amamos,

Depois da morte inda teremos filhos!

O eu lírico se compara à árvore que por meio de suas sementes,

prole, haverá continuidade da vida deixando legados e renovação.

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Poesia de Eidi Silva que trata a morte como surpresa inapropriada e totalmente indesejada que leva jovens no ápice da vitalidade. A composição apresenta um eu lírico revoltado diante da interrupção precoce da vida, criando um clima de tensão crescente até o desfecho final.


Morte

No silêncio da madrugada

Ela se aproxima sorrateira.

À vítima observa calada

E quer levá-la de qualquer maneira.

 

Faminta e sem piedade,

Em meio a escuridão,

Corrompe a felicidade

De um corpo em ascensão.

 

Leva embora uma vida distinta

Que nem sequer chegou aos trinta!

Leva embora uma alma forte

Essa maldita que se chama morte!

 Eidi Silva

 

 “No silêncio da madrugada

Ela se aproxima sorrateira.”

 

A morte surge como uma entidade quase humana, que age escondida. A palavra “sorrateira” reforça a ideia de algo traiçoeiro e inevitável.

“À vítima observa calada

E quer levá-la de qualquer maneira.”

 

A morte personificada observa com forte desejo a vítima e concluirá com seu objetivo roubando-lhe a vida. O destino fatal é certo.

 

“Faminta e sem piedade,

Em meio a escuridão,”

 

Desejo intenso em saciar a sua fome durante a madrugada em meio ao breu da noite, escuridão total. Momento propício para executar seus planos de morte.

 

 

“Leva embora uma vida distinta

Que nem sequer chegou aos trinta!”

 

Destruição prematura de uma vida cheia de futuro, força que interrompe as possibilidades, os sonhos e a intensidade da existência.

 

“Leva embora uma alma forte

Essa maldita que se chama morte!”

 

O poema termina em revolta. O adjetivo “maldita” rompe qualquer neutralidade e revela indignação profunda. O fechamento é forte porque nomeia diretamente aquilo que vinha sendo construída como presença misteriosa desde o início: a morte.

 

 

Tanto a poesia de Augusto dos Anjos, Vozes da Morte, e de Eidi Silva, Morte, trazem a mesma temática do destino fatal que acompanha o eu lírico do começo ao fim de cada poema, lembrando a brevidade da vida e a chegada repentina do fim da vitalidade no auge de sua força juvenil.



Eidi Silva Alencar - Colunista


Casada, formada em Letras, Pós- Graduação em Liderança Positiva e Gestão de Sala de Aula e estudante de Psicanálise. Viveu  boa parte de sua infância e adolescência  no bairro do Grajaú, zona sul de São Paulo. Desde cedo demonstrou interesse na literatura e começou a escrever  poesias aos 13 anos de idade. Atualmente reside numa cidade do ABC Paulista, Rio Grande da Serra. É  professora de Língua Portuguesa e  leciona para alunos do Ensino Médio e Ensino Fundamental de uma escola estadual no Parque Andreense, divisa com Ribeirão Pires..
 
 
 

5 comentários

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Elen
há 2 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que coluna maravilhosa!! Parabéns

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Simone
há 6 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Belíssimo poema sobre algo tão natural e temido!

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Convidado:
há 7 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Maravilhoso, parabéns!

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Márcio
há 7 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Lindo, parabéns.

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Convidado:
09 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

a morte sempre cheia de mistérios, excelente matéria.

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