Cordéis e Contos: Pedro Monteiro de Carvalho
- Cosme Santos

- 30 de mai.
- 3 min de leitura
Por Cosme Santos

Pedro Monteiro de Carvalho, em artes Pedro Monteiro, é escritor, poeta cordelista e agitador cultural. Nasceu em 25 de março de 1956, em Novo Oriente, então zona rural de Campo Maior, hoje pertencente ao município de Cocal de Telha, no estado do Piauí. Filho de lavradores, Raimundo Monteiro de Carvalho e Maria Verônica de Carvalho, teve infância tipicamente roceira, ouvindo histórias e contos à luz de lamparina e, principalmente, nos terreiros enluarados.
Suas raízes estão fincadas nessa realidade nordestina, onde
viveu até os dezesseis anos, tendo sido alfabetizado em família. Posteriormente, em terras paulistanas, com muita resiliência, recorreu a cursos de madureza ginasial e colegial, para depois cursar Administração na área de hotelaria, ramo em que atuou por 21 anos, tendo
posteriormente trabalhado por mais 19 anos como funcionário público.
Residir em bairros da Paulicéia lhe rendeu inserção nos
movimentos sociais em prol de melhor qualidade de vida e de desenvolvimento humano. Destacando-se como estudante da arte teatral e como apologista e incentivador da cultura
popular em geral, tendo atuado como ator em peças como Saúde! Salve-se Quem Puder e Danação, entre outras. Na seara da literatura, iniciou sua trajetória em 2009, aos 53 anos, com a publicação do cordel Chicó, o Menino das Cem Mentiras. Desde então, já produziu mais de 60 obras, entre livros, livretos e folhetos de Literatura de Cordel, sendo boa parte de sua produção voltada para adaptações, contos regionais e lendas indígenas.
Desde 2017, dedica-se integralmente à divulgação de sua produção literária por meio de palestras, participação em bienais, feiras, casas de cultura e exposições. Para manter vínculo com sua terra natal, tem sido presença frequente ao menos duas vezes por ano. É membro fundador do Clube Piauiense da Trova, sediado em Teresina.
Possui dez publicações originárias do estado do Piauí: Reisado Piauiense (regional); e A Lenda da Carnaubeira (regional); A Lenda do Cabeça de Cuia (Teresina);
Vida e Luta de Esperança Garcia (Nazaré); Macyrajara – a lenda da Lagoa do Portinho (Luís Correia); A Lenda de Zabelê (Castelo); José e Marina (Piripiri); O Fantasma do rio Surubim (Campo Maior); e três ambientadas em Cocal de Telha: A História de Maria dos Prazeres – a Negra do Cupim (calengue), A Mocinha e o Jaó (cocalinho) e O espalhafatoso Carro do Diabo (Aracati). Outras publicações de destaque e respectivas editoras: A Lenda do Peixe Dourado (Editora Tupynanquim);
História de Cumade Fulozinha (Cordelaria Flor da Serra); Os Dois Irmãos – a História de Anepu e Batau (Edicon); O Triunfo do Poeta no Reino do Cafundó (Luzeiro); Chicó, o Menino das Cem Mentiras; João Grilo, um Presepeiro no Palácio; Lenda de Iara (Rouxinol do Rinaré Edições); A Volta ao Mundo em 80 Dias, em Cordel (Nova Alexandria); Sete Lendas Indígenas em Cordel (Ciranda Cultural).
O TRIUNFO DO POETA NO REINO DO CAFUNDÓ
Certa vez, imaginando
A nossa ancestralidade,
Joguei luz no pensamento,
E busquei na oralidade
Histórias que se perderam
No vão da modernidade.
Peguei caneta e papel,
Remexi nos meus lembrados,
Invoquei sabedoria
Dos nossos antepassados,
Lembrei-me da minha avó
Fazendo seus proseados.
(.)...
— Pois fale de um desencanto,
Adivinha nua e crua,
Exijo desembaraço
Dentro da resposta sua:
Qual motivo fez o Sol
Distanciar-se da Lua?
— O Sol buscou, junto à Lua,
Na face que ele clareia,
Por justiça, ter ao menos
Uma metade de meia.
Mas ficou sem nenhum quarto,
Pois a lua estava cheia.
Instagram: @poetapedromonteiro
COSME SANTOS - Colunista

Cosme de Oliveira Santos é uma voz dedicada à sensibilidade e à valorização da beleza contida nas coisas simples. Poeta, cordelista e escritor que entende a palavra como um elo de conexão humana, Cosme acredita que a literatura é o meio pelo qual a natureza, os sentimentos e a vida cotidiana ganham uma dimensão eterna.
O Olhar do Poeta
Sua escrita é marcada por uma profunda admiração pela vida e pelas relações humanas. Em seus versos, Cosme celebra a natureza e a essência da alma brasileira, o cristianismo e transformando temas como o amor, a família e a resiliência em poesia que toca o coração. Para ele, ser escritor é um ato de entrega e um convite para que o leitor desacelere e contemple o mundo com mais empatia.
Compromisso com a Literatura Nacional



don Pedro de Monteiro Carvalho, orgulho nacional , patrimônio histórico , um legado inesquecível, excelente materia.
Parabéns pelo texto e pelo lindo trabalho que realiza.
Pedro Monteiro já é uma lenda, mas quero aqui falar do meu amigo Cosme. Além de ser poeta, cordelista e escritor, que nos une no campo literário, é uma pessoa de uma sensibilidade peculiar. Amigo para todas as horas e uma pessoa que se solidariza com quem precisa. O mundo das palavras está cheio de pessoas individualistas, que só pensam em se promover. Cosme anda de mãos dadas com escritores e escritoras que acreditam que é no coletivo que se promove, que se ganha e que se projeta para o futuro. Cosme, obrigado pela sua amizade sincera. Eu sigo os seus passos.
Cosme com muita alegria e admiração pelo seu trabalho. Que continue sempre a nos encantar com sua escrita ,com seus versos e com seus poemas ,parabéns sucesso hj e sempre.
Meu amigo Cosme sua poesia transforma memórias, sentimentos e reflexões em arte..
A obra revela um olhar atento e humano sobre a vida.
Empatia, gratidão e amor marcam sua escrita.
Uma hora ser amigo de poeta.
É uma celebração da família, da fé e das experiências que nos unem.