Livros que Mudam Vidas:
- Clarice Ziller

- 29 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
Por Clarice Ziller
O FIO QUE NOS UNE

Comunicação. Linguagem. Escrita. Desenho. Traços humanos, sendo os
últimos dois, exclusivos.
Terra: planeta magnífico, uma joia cravada na Via Láctea que carrega a história de toda a raça humana. Ao longo de eras, milênios e séculos passamos de geração a geração o conhecimento e a cultura. Do primeiro ao último ser humano, um elo: a escrita. Desde os primórdios os habitantes da Terra sentiram a necessidade de registrar sua história. É possível visualizar uma família das cavernas ao redor de uma fogueira contando histórias aos filhos com as figuras desenhadas nas paredes. Tudo estava ali: as aventuras, os perigos, as vitórias. Certamente não imaginavam que aqueles traços atravessariam milênios e nos contariam histórias também. Só havia um problema: a família se mudava e os registros ficavam para trás. Será que algum deles imaginou que milhares de anos depois estaríamos tentando descobrir as histórias contadas por seus rabiscos, ou sonhariam com quantas pessoas se dedicariam a compreender o que estavam contando e seu padrão de linguagem?
Não sei por quantos séculos se contou história nas paredes, mas em dado
momento, tudo mudou: ao inventar o papiro, um egípcio curioso resolveu a
questão para que não fosse mais necessário abandonar registros. Essa
descoberta aparentemente pequena mudou a História para sempre. O
conhecimento e a cultura passaram a ser carregados de um lado a outro e
foram se espalhando mundo afora. A Grécia e o Oriente Médio desenvolveram
suas civilizações e vimos surgir a matemática, o teatro, a medicina, a filosofia...
vidas eram mudadas todos os dias, nos mais diferentes lugares, pela palavra
escrita.
As civilizações florescem e surge o comércio internacional. Coube aos fenícios,
grandes navegadores e negociantes, criar algo que mais uma vez revolucionou
a jornada humana: o alfabeto. Um pequeno conjunto de letras e vejam só: o
curso da História é novamente alterado.
O Império Romano trouxe à existência o primeiro sistema de rede registrado
pela humanidade: uma teia de estradas interligadas que deu origem ao famoso
“todos os caminhos levam a Roma”, e tudo nasceu do conhecimento adquirido
por meio dos gregos. A queda do império é marcada pelo incêndio da
biblioteca de Alexandria, guardiã dos grandes tesouros literários do mundo na
época. Por um breve momento pareceu que a humanidade havia perdido seus
escritos mais importantes, mas, assim como a água, o conhecimento sempre
encontra um caminho. Nesse caso, o caminho foi construído pelas mãos de
árabes, judeus e gregos que haviam copiado muitos dos livros da biblioteca,
criando o primeiro back-up da História.
O mundo segue seu rumo, as civilizações continuam suas jornadas, e em meio
a um tempo de trevas eis que surge um outro visionário, Gutenberg - Johannes
Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg –, que ao criar a prensa de tipos móveis
revoluciona mais uma vez a comunicação humana e a civilização. A partir do
surgimento da prensa, as palavras, as histórias e as notícias vão se espalhando com velocidade espantosa, e o conhecimento segue alcançando cidadãos comuns ao redor do mundo, fomentando uma explosão de arte e conhecimento que transformou o mundo. A Renascença parece ter sido um “big bang” da inteligência humana, graças às palavras gravadas nos livros.
De lá para cá, quanta coisa aconteceu! Criamos a linguagem dos
computadores, fomos à lua e agora testemunhamos o surgimento da
inteligência artificial. A raça humana segue passando seu conhecimento de
geração em geração, deixando pegadas escritas para os que vêm depois
trabalharem a partir delas. A humanidade ignora limites, e segue criando,
transformando e registrando suas descobertas. A escrita ligará o primeiro ao
último ser humano que pisar nosso amado planeta.
Escrever é ser parte dessa roda de comunicação que permeia o mundo, um
privilégio inenarrável. Toda leitura nos transforma, nos molda. Toda escrita é
válida, e toda mensagem muda alguém.
Esse é o primeiro artigo da coluna “Como eu era antes de você”, dedicada a
falar de livros que mudaram minha vida e podem mudar a sua. Quis dar a você
que lê um panorama macro da importância da escrita, para a partir de agora
olharmos juntos para o dia a dia e para a leitura que transforma a nós e ao
mundo que nos rodeia.
Quero incluir nesse primeiro artigo um agradecimento ao idealizador do blog,
Ulisses Cobucci, pela oportunidade e parabenizá-lo por todas as suas
iniciativas em prol da literatura brasileira.
Acredito firmemente que a literatura muda vidas o tempo todo: a de quem lê e a
de quem escreve. Eu mesma só estou aqui porque um dia criei coragem e
apresentei ao papel a escrita que me ia na cabeça.
Deixo aqui meu convite para mergulharmos juntos numa deliciosa conversa
sobre leituras impactantes, que talvez alterem o curso da humanidade, mas
com certeza alteraram o meu.
CLARICE ZILLER - Colunista

Mãe, esposa, Turismóloga com especialização em Ciências da Religião, Direitos da Criança e Arteterapia.
Apaixonada por crianças, escrita e leitura. Sonhava em ser escritora desde pequena, e aos 50 anos, abraçou o projeto em tempo integral.
O universo da criança é sua grande paixão, seguida de perto por viajar e conhecer o mundo.
Sua linha de escrita é leveza, aventura e humor, pois acredita no poder relaxante de boas risadas, e que o mundo anda pesado demais, tornando esse tipo de leitura muito necessária.
MEU LIVRO ESTÁ AQUI ESPERANDO POR VOCÊ:
O autor da mensagem, e não o BLOG Laurel Verbum, é o responsável pelo comentário.






uma cronologia perfeita em torno a evolução da escrita , também estou convicto que escrever muda vidas tanto de quem escreve e quem Lee , excelente materia.
Nossa história escrita é tão pequena e o conhecimento transferido nós fez atravessar eras e mesmo nos tirou do planeta, coisas que seriam impossíveis sem tudo isso, pessoas como você, que fazem a diferença no mundo, obrigado autora Clarice!
Muito bom esse tema. Têm livros que realmente tocam a nossa alma.
Escrever é uma arte que verte um amor profundo, através da alma. Paginas luminosas vão suscitando e o coração se alegra em encantamento. A essência surge naturalmente, quando nós permitimos expressar nossa essência, através de emoções e verdades. Ideias e sentimentos ganham forma e conecta o mundo interior com o divino.
Cosme Oliveira dos Santos.