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27 livros que você precisa ler antes de morrer

Escolher quais são os melhores livros para ler pelo menos uma vez na vida não é uma tarefa fácil.

Afinal, a literatura nacional e estrangeira é recheada de inúmeros livros que todos deveriam ler. Ainda assim, selecionamos alguns títulos aclamados ao longo dos tempos e que têm conquistado leitores no mundo todo.

As obras aqui listadas não seguem uma ordem cronológica ou de "importância".

1. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Cem Anos de Solidão é um daqueles livros que permanecem ecoando em nossas vidas para sempre.


Escrito pelo colombiano Gabriel García Márquez e lançado em 1967, faz parte da vertente artística e literária conhecida como “realismo fantástico”, ou “realismo mágico”.

Esse livro se tornou um dos maiores clássicos da literatura latino-americana ao contar a história da família Buendía ao longo de um século.

O cenário é Macondo, cidade fictícia fundada pelo patriarca José Arcádio Buendía.

Lá ocorrem as mais diversas e peculiares situações, retratando um microcosmo das dores e belezas da cultura latino-americana, em especial a colombiana.

Um livro para ler e se encantar com a capacidade do autor de criar cenas onde a realidade, a utopia e a imaginação se misturam de forma extraordinária.

2. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Memória Póstumas de Brás Cubas figura uma das leituras “obrigatórias” da literatura brasileira.


Isso porque o romance trouxe uma originalidade nunca antes vista, inaugurando no país o estilo literário conhecido como “realismo”.

Seu autor, Machado de Assis, é considerado um dos maiores escritores brasileiros e essa obra, lançada em 1881, foi um marco em sua carreira.

Escrirta em primeira pessoa, apresenta Brás Cubas contando sua vida depois de morto, assim o protagonista e narrador é um “defunto-autor”.

É interessante observar como Machado consegue exibir um personagem despido dos pudores morais, revelando uma elite decadente e preconceituosa no fim do séc XIX, às vésperas da abolição da escravidão e fim do Brasil colônia.

3. A Hora de Estrela, de Clarice Lispector

Clarice Lispector publicou A hora da Estrela em 1977. Esse é seu último romance, e talvez o mais conhecido de seus livros.


Conta a história de Macabéa, uma jovem alagoana que vai para o Rio de Janeiro à procura de trabalho e oportunidades.

Desprovida de malícia e consciência de seus próprios desejos, Macabéa se vê “engolida” por uma metrópole hostil sem se dar conta de seu sofrimento.

O livro traz uma narrativa mais linear que outras obras de Clarice, podendo ser um convite para conhecer a autora e se aventurar em sua escrita.

Devido ao seu sucesso e importância, a história foi transformada em filme pela cineasta Suzana Amaral em 1985.

4. Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus

Esse é um livro essencial para entender a realidade das pessoas que vivem à margem da sociedade brasileira.


É uma compilação de diários de Carolina Maria de Jesus, escritos na década de 50. Publicado em 1960, conta sobre o cotidiano dessa mulher negra, mãe solo e moradora da favela do Canindé, em São Paulo.

Foi inovador, pois deu voz a uma classe oprimida pela desigualdade e pelo racismo, colocando-a no centro da narrativa como protagonista de sua própria história, e não vista por um olhar “estrangeiro”.

Foi um sucesso de vendas, sendo traduzido para treze idiomas e se tornando referência na literatura brasileira.

5. Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Ensaio Sobre a Cegueira, do português José Saramago, foi publicado em 1995.


O romance é frequentemente citado como umas obras literárias de maior sucesso e relevância da segunda metade do século XX.

Trazendo a história assustadora de uma sociedade acometida por uma “cegueira branca”, Saramago exibe uma espécie de “fábula” sobre a condição humana, os problemas sociais e a falta de empatia presente no sistema vigente.

A distopia é aclamada em todo o mundo e foi adaptada para o cinema em 2008, dirigida pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

6. A Metamorfose, de Franz Kafka

Franz Kafka, escritor austro-húngaro que viveu no início do século XX, é muito lembrado pelo romance A metamorfose, lançado em 1915.


Apesar de ser uma narrativa curta, podendo ser lida em um único dia, as reflexões que gera são enormes.

O livro conta sobre Gregor Samsa, um sujeito que um dia, ao acordar para trabalhar, percebe que se transformou em um bicho semelhante a uma barata ou um besouro.

Usando como metáfora a figura do asqueroso inseto, Kafka leva às últimas consequências o sentimento de desumanização e perda de identidade que ronda o personagem (e a sociedade na época da Primeira Guerra Mundial).

Mesmo pertencendo aos anos 10, é impressionante como a trama trata de questões atuais e universais, presentes em indivíduos que mal tem tempo para descobrir os prazeres da vida, pois estão sempre ocupados com o trabalho.

7. Kindred: laços de sangue, de Octavia E. Butler

Uma das primeiras ficções científicas que trata de viagens no tempo, Kindred: laços de sangue, é uma obra da norte-americana Octavia E. Butler que foi lançada em 1979.


A autora é conhecida por representar o movimento cultural e político denominado afrofuturismo, que valoriza o protagonismo negro e suas subjetividades.

Kindred é seu livro mais famoso e conta sobre Dana, uma jovem negra que vive nos anos 70 na Califórnia e começa a fazer viagens temporais, voltando sempre para a mesma fazenda no sul dos EUA no século XIX.

Dessa forma, ela se depara com uma realidade escravagista e viverá situações perturbadoras ao encontrar seus ancestrais.

Com uma escrita cativante, Octavia nos transporta junto com Dana para seus dilemas e conflitos, trazendo questões importantes que nos falam sobre justiça, resistência, tempo, poder, heranças familiares e estruturas sociais.

8. Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto

Um clássico da literatura brasileira é Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, de 1955.


O livro é um grande poema que conta a história de Severino, retirante nordestino que, assim como seus iguais, leva uma vida dura em meio à seca.

Severino representa o ser humano castigado pela falta de recursos em um ambiente que pouco lhe oferece.

O romance faz parte de uma trilogia do autor composta também por O cão sem plumas e O rio.

Segundo o professor de literatura Waltencir Alves de Oliveira, da UFPR:

A obra consegue, pela primeira vez, empregando recursos próprios da expressão poética e não da prosa romanesca, expor um personagem que figura um grupo, e um estado que representa uma região inteira, tornando-os paradigmáticos para a compreensão da situação nordestina frente aos centros que detinham a produção dos discursos sobre a cultura no Brasil.

9. O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Verissimo

Luis Fernando Veríssimo declarou certa vez que o romance preferido de sua autoria é Clube dos Anjos.


Com uma escrita afiada e instigante, o livro foi lançado em 1998 e faz parte da coleção Plenos Pecados, da editora Objetiva, representando o pecado da gula.

A história é sobre um grupo de amigos que se reúne desde a juventude para dar vazão ao prazer de comer bons pratos.

Levando o desejo pela comida ao extremo, Veríssimo nos apresenta uma narrativa recheada de suspense que prende o leitor e a leitora desde o primeiro parágrafo.

10. Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

Grande Sertão: Veredas figura como um dos clássicos da literatura nacional e até mesmo mundial.


A incrível narrativa foi escrita por Guimarães Rosa na década de 50, com lançamento em 1956.

Carregado de regionalismo, o romance mostra a vida do sertanejo no interior do país, com uma escrita pautada na oralidade.

É narrada em primeira pessoa por Riobaldo, um ex-jagunço que conta sua trajetória a um doutor, que nunca aparece de fato na história.

O livro foi um sucesso de público e crítica, sendo adaptado para o cinema.

Abaixo, veja um trecho de uma rara gravação em que Guimarães comenta sobre a obra.

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11. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Esse romance é um dos grandes clássicos da língua inglesa e a obra mais conhecida de Oscar Wilde.


Publicado em 1890, a história ganhou um lugar importante na cultura ocidental e inspirou adaptações no cinema, teatro e TV, sendo até hoje estudada por pessoas das mais diversas áreas do saber.

A narrativa é sobre um belo rapaz que, extasiado por sua própria beleza e temendo perdê-la, faz um acordo com o diabo a fim de manter para sempre a juventude.

Assim, a história se relaciona ao mito grego de Narciso e traz inúmeras camadas de significado que valem a pena ser desvendadas.

12. Capitães da Areia, de Jorge Amado

Obra do célebre escritor baiano Jorge Amado, Capitães da Areia foi escrito em 1937 e mostra a vida de um grupo de meninos infratores que vive nos anos 30 em Salvador.


O autor dá voz a uma parcela excluída da população, mostrando as contradições e desigualdades que levam crianças abandonadas a sacrificar a infância e roubar para comer.

Romance de grande sensibilidade, o livro faz parte da segunda geração do modernismo, que buscava retratar temas sociais e regionais.

Na época de seu lançamento, Capitães da Areia foi censurado pelo governo de Getúlio Vargas, que queimou mais de 800 exemplares em praça pública.

13. O Apanhador no Campo de Centeio, de D.J. Salinger

O Apanhador no Campo de Centeio é um livro de destaque na literatura do século XX.


Escrito pelo norte-americano D.J. Salinger e publicado em 1951, o romance foi inovador ao tratar de temas como a adolescência, sexualidade, conflitos geracionais e outros dramas que não eram abordados até então.

Traz a história de Holden Caulfield, um adolescente de 17 anos que precisa lidar a angústia, a solidão e a insegurança de se tornar adulto. Assim, o jovem tece duras críticas à sociedade e ao “mundo dos adultos”, vistos como falsos e hipócritas.

Muito reconhecido pelo público e pela crítica, o livro integra diversas listas de melhores romances de língua inglesa do século passado.

14. Sapiens: uma breve história da humanidade, de Yuval Harari

Publicado em 2014, esse livro é um sucesso de vendas no mundo todo. Seu autor, o professor israelense de história Yuval Harari, aborda de maneira fluida e agradável aspectos da biologia, ciência e história para contar a trajetória dos seres humanos.

Uma leitura interessante e de fácil compreensão para se entender diversos assuntos, como sistemas monetários e políticos, religião, poder e coletividade.

Veja um vídeo o professor Rodrigo Petronio, da Casa do Saber, sobre a obra.

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15. A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

O primeiro romance da chilena Isabel Allende é o seu livro mais famoso.


A Casa dos Espíritos foi publicado em 1982 e faz parte do chamado “realismo fantástico”, que mistura situações e ocorrências extraordinárias com o cotidiano.

Retrata a vida de uma família ao longo de 70 anos em um país fictício que se assemelha ao Chile.

As personagens principais são três mulheres com o dom da clarividência que precisam conviver com o rígido e autoritário patriarca.

Com uma escrita cativante, Isabel consegue criar um universo familiar que dá conta de expor várias questões que ocorriam na América Latina, abordando tanto temas do contexto doméstico como coletivo.

16. O Diário de Anne Frank, de Anne Frank

O livro autobiográfico O Diário de Anne Frank entrou para a história como um testemunho singular dos horrores da Segunda Guerra Mundial.


Contado por uma garota judia que tem sua adolescência atravessada pelo conflito, foi escrito enquanto Anne estava confinada com sua família em um esconderijo nos Países Baixos durante a ocupação nazista.

O livro tornou-se um importante documento histórico, entretanto, nos revela também a dimensão particular da tragédia na vida de uma simples garota, enquanto o mundo desmoronava.

Um relato para não nos esquecermos do que ideias nazi-fascistas podem provocar quando levadas ao extremo.


 
 
 

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